terça-feira, 22 de maio de 2018

amores conjuntos

amo sem nome, sem adjetivo ou qualificação.
tudo junto.
tem uns amores sem sexo e tem amores sensuais.
tem amores que tem gosto de ontem,
tem amores que tem gosto de desejo,
e tem amores sem gosto.
tem amores que descubro que são chamas,
ficam ardendo. 
tem amores que só aparecem quando estão longe,
tem amores que cultivo como plantas,.rego, adubo
e tem amores que surgem selvagens entre os já plantados.
todos convivem parecendo existirem há séculos.
tem amores especiais. eu os desejo com mais intensidade e os quero bem perto.
tem amores secretos que nem eu mesmo sei que estão ali.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Mesmo assim não nos arrependemos de ter feito o que fizemos



Ontem, em Ipanema, voltando da praia quase chegando em casa nos deparamos com um sinhozinho trêmulo na calçada quase caindo . Todo seu corpo tremia e sacudia. Esse sem possibilidade de caminhar. Nos aproximamos dele e perguntamos se queria algum tipo de ajuda.
Ele disse que havia tido um problema de saúde que o impedia de sentar e que seu braço direito estava semi paralisado.
Disse ainda que estava ali desde as 7:30 da manhã esperando uma moça que havia se prontificado a emprestar um dinheiro para compra do botijão de gás. Ele acrescentou que iria receber o dinheiro do INSS e que pagaria a moça em seguida. Mas que essa moça não tinha aparecido.  Perguntei se ele tinha se comunicado com a moça. Ele mostrou o bolso com seus documentos, e disse que o telefone da moça havia caído do seu bolso. Continuando perguntamos se ele estava com fome.Ele respondeu que não havia comido nada até aquele momento, mas que ele tinha ainda arroz e feijão em casa.
Como estávamos próximos de casa rapidamente providenciamos uma sacola com biscoitos, frutas e pedaços de frango temperados por fazer.
Ao longo do caminho perguntei seu nome, sua idade e o nome da sua esposa. Respondeu a todas perguntas. Ele mostrou claramente os documentos com seu nome. Enquanto caminhávamos meti a mão no bolso e de lá puxei uma nota de dez reais que era o que tinha naquele momento.
Levamos o sinhozinho até a estação de metrô e entregamos aos guardas do metrô, avisando sobre sua condição de saúde.
Um pouco antes de entrar na estação me surpreendi com um pedido desse sinhozinho: "por favor não ponha nada disso na internet, porque minha mulher vai ficar muito chateada pensando que eu fico pedindo dinheiro na rua"
Esse pedido me deixou com a pulga atrás da orelha. Não pude deixar de pensar que esse sinhozinho pudesse estar fazendo um grande teatro para mexer com os sentimentos das pessoas.
Podemos ter sido enganados? Sim podemos
Alguém mais viveu algo semelhante? É possível
Mas fizemos o que achamos que tínhamos que fazer.

sábado, 28 de abril de 2018

Reflexões diante do momento político que está aí



É um tal de cada um por si em nosso congresso que me permito pensar que talvez seja impossível que qualquer nação estrangeira exerça pressões coordenadas sobre nosso congresso, coisa que já preocupou um bom número de brasileiros.

Creio que a voracidade da maioria dos parlamentares é tamanha, com interesses preponderantes em seus próprios umbigos que isso deve dificultar sobremaneira qualquer intervenção coordenada sobre os assuntos internos brasileiros.

A viração de casaca sem o menor pudor, e o bordão do "o que é que eu ganho com isso" deve dificultar ações de intervenção estrangeira.

Há pouca inteligência em nosso congresso. O que orienta a maioria dos senhores deputados e senadores é a sede de poder e de vantagens pessoais . Penso que isso propicia um certo caos na coordenação do crime organizado naquele reduto, facilitando delações e traições diversas. Há semelhanças com as atividades atribuídas a facções criminosas conhecidas, porém diferente do movimento que comanda as drogas e armas no tráfico, nossos políticos não podem lançar mão com a mesma facilidade das formas de resolução de conflitos dos criminosos assumidos.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

um percurso histórico



Desde a nossa colonização até hoje viemos vindo numa acelerada onda de trambiques.sob benevolencia de autoridades.

No início foram movimentos com a desculpa, ou permissão, de que era tudo provisório.

Essas falcatruas inicialmente eram feitas de forma envergonhada, com criatividade e disfarces.

Mas

O "provisório tornou-se permanente",  e esse bordão se fez fundamento em nossa cultura.

Pouco a pouco, de forma complacente, deixamos que esses gestos se tornassem hábitos, coisas naturais, e frequentemente, de modo afetivo, exaltados e aplaudidos.

Ao longo do tempo auqeles que aderiram a esses maneirismos receberam a reverente alcunha de "espertos".

Esses "espertos", então, se empoleiraram, sobretudo em dois rincões: o dos políticos e o dos empresários. Esses passaram a realizar complexas e despudoradas coreografias.

Com o tempo a ansiedade se tornou tamanha que os disfarces mínimos foram sendo abandonados, as coreografias sendo reduzidas a movimentos grosseiros.

Assim vem se evidenciando esse atordoante espetáculo de nossa cultura.

Tudo vem de longe, e agora diante de tamanha falta de vergonha, perda de pudor, esses movimentos que há tanto tempo vigoravam, como fogos de artifício estouram diante de nossos assombrados olhos e provocam expressões de espanto e indignação.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

a crise cultural


Como povo,
quais os nossos conceitos de: inteligência, de sucesso, de capacidade?
quem são nossos heróis?
quais os feitos importantes de nossa história?
que coisas nos atraem?
o que é para nós honestidade?
o que nos proporciona orgulho?
e alegria?
diante do que nos curvamos?
O que reverenciamos?
O que nos causa aversão?
qual o nosso grau de tolerância?

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Reflexões sobre o crime por aqui



Qualquer crime aqui no Brasil, mais do que em qualquer outro país do mundo, poderia ter resolução rápida.

Não exatamente pela eficácia de nosso sistema investigatório, mas pelo simples fato de que somos um povo que observa, fala pelos cotovelos e deixa vazar informações a torto e a direito. O desejo de ter a informação ainda que para posar como pessoas interessantes, que sabem segredos que poucos tem acesso é fator forte. Adicione-se a isso o fato de que agora muitos, munidos de "smartphones" podem registrar fatos difíceis de serem refutados.

Penso que há sempre um "equilíbrio" (instável seja dito) entre a criminalidade e a polícia, mas efetivo. Há certamente um convívio entre esses dois setores, com várias combinações e acordos que em certos âmbitos envolvem até mesmo outras autoridades.

Quando a opinião pública se envolve esse equilíbrio sempre periga ser rompido. Nesse caso ou se buscam ou se criam os bodes expiatórios, ou se protela quase que indefinidamente a "investigação", sob a chancela de manutenção do "sigilo".

Creio que no caso de haver uma vontade politica de resolução, um movimento possível é simplesmente postar-se em locais determinados, escutar, fazer as perguntas certas e com atenção juntar os pedaços.

Este equilíbrio entre criminalidade, população e polícia existe e é sempre temperado por medo. E é aí que mora a grande barreira. Esse medo é o elemento mais intenso, desenvolvido e propagado em nosso país, afetando obviamente sobretudo os menos empoderados. Testemunhas? Quem quer se arriscar? Pode-se facilmente forjar um assalto permitindo que os que devem ser silenciados se tornem pobres vítimas fatais do evento.. Além disso balas perdidas estão aí mesmo, com algumas com endereço certo.

Por outro lado, certamente balas encontradas em corpos de diversos inocentes, são resultado de policiais apavorados, encurralados, mal treinados e lançados em incursões mal planejadas frequentemente com a tônica reativa.

Importante lembrar que este é um país onde uma grande maioria tem poucas perspectivas de futuro, poucos sonhos de mudanças. Esses partindo de suas experiências existenciais que os fazem chegar a conclusão que o valor do viver é baixíssimo projetam esse sentimento sobre os outros que os cercam, tornando o morrer e o ato de matar algo com menos importância que digamos a classe média.

Os participantes de confrontos envolvem-se em episódios violentos resultados dessas vivências onde a vida tem valor irrisório, sejam eles policiais ou criminosos.

Quanto a corrupção, convenhamos, somos treinados para ela desde pequenos.Somos educados desde o jardim de infância para a competição. Não sendo raro o estímulo dado pelas "tias": "Vamos ver quem chega lá primeiro" "Quem faz o trabalho mais bonito", etc . Quem ganha leva os prêmios , os elogios e o reconhecimento. Há um estímulo sutil mas forte que estimula a ganhar o reconhecimento a qualquer preço, sim porque sabemos que o primeiro colocado do último lugar é o segundo lugar.

Ademais, o óbvio, ou seja onde rolam crimes, sobretudo os de colarinhos brancos (ou pardos), rola, em geral muita grana, muitas promessas e o exercício do poder dialoga com mãos que lavam outras.
Grana é poder. Grana emudece bocas e fecha olhos, além de provocar amnésias profundas e precisas.
segue.....

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

liquidos

Exponho a dor tentando compreendero que a vida traz.Traduzo o incompreensível em movimentos.Para não me afogar nos líquidos produzidos nessas travessias.Entorno então sentimentose flutuo nas mãos estendidas..