segunda-feira, 17 de julho de 2017

estes tempos...




Ter dúvidas, perceber a dinâmica e imprevisibilidade dos eventos, a importância das diversidades, tudo isso deveria propiciar uma redução do conservadorismo e fundamentalismo. 
Há um chamado contundente a estarmos despertos e presentes. 
Existe no entanto uma multidão de pessoas que parecem imunes a isso. Encolhem-se em suas certezas,regras e normas e acabam produzindo as desgraças assombrosas que nos cercam. Há um grande grupo que teme os inevitáveis e fundamentais inesperados que regem nosso tempo. Estes inesperados são exatamente os catalizadores das transformações que estão se pondo em curso por todas partes.


quinta-feira, 6 de julho de 2017

BEM-VINDO uma “apresentação passaporte”



BEM-VINDO é uma “apresentação passaporte” que propõe atravessar essas fronteiras que nos dividem em países, partidos, ideologias e... indivíduos distanciados.  
BEM VINDO é uma apresentação cujo “carimbo no passaporte” é um sorriso, uma moeda ou um abraço.
BEM VINDO é um convite e um olhar que abre espaços, desmancha desconfianças, resgata almas cansadas de isolamentos e separações. 
BEM VINDO refresca almas esgotadas dos conflitos diários onde nunca há vencedores, mas traz a GRAÇA onde, esta sim vence as dores.
Richard oferece o coração. Atravessa oceanos e se lança a recordar que somos todos visitantes provisórios de lugares por um breve tempo.
A figura do PALHAÇO está a serviço do acolhimento de nossas fragilidades, tropeços, incapacidades, belezas, ternuras e pedidos. 
O PALHAÇO propõe a dissolução de nossa arrogância com a qual temos a ilusão de nos proteger. Uma ilusão que nos custa a saúde, e sobretudo, as oportunidades de ENCONTROS.  
São inicialmente ENCONTROS com partes nossas menos visitadas, para em seguida nos dar o "visto de entrada" para verdadeiros encontros com o... MUNDO.

Michel Robim

Meu corpo entregue à musa Jocy



 
Quando Jocy começou em minha vida? Não lembro bem. Ela não é uma pessoa de datas ela é uma pessoa de arte, de realizações e de uma firmeza impressionantes. Ela não é cronológica. Ela é foco, proposição.

Minha contribuição para os trabalhos de Jocy foi, sobretudo, meu trajeto no campo do corpo, da dança. Da combinação de dança contemporânea, clássica, moderna e de expressão corporal. Meu percurso no teatro também se ofereceu aos trabalhos multimídia de Jocy. Essas foram minhas moedas de troca artística.
 
Talvez o que de Jocy está mais presente em mim é seu olhar penetrante.  Muitas vezes quase assustador de sério. Um motor de criatividade.

São diversas memórias de trabalhos. MAM (Museu de Arte Moderna do Rio), Estádio de remo da Lagoa, Teatro Municipal de São Paulo...,e CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil) com INORI. Fora esses exemplos de espaços públicos, há os outros, mais aconchegantes que se desdobravam em encontros e longas conversas em sua casa para a troca de ideias, para falar e experimentar...e devanear.
 
Sua ousadia andava quilômetros à minha frente. Eu às vezes só conseguia compreender verdadeiramente suas propostas depois de um tempo. Entre temores e excitação eu acabava seduzido por suas ideias. 
 
Em INORI, por exemplo, havia uma cena onde eu me apresentava completamente nu no palco. Sinceramente, apenas Jocy para me convencer a me expor desta maneira.
 
O pior foi quando para realizarmos o vídeo de INORI fomos a uma praia situada num centro militar onde era necessário gravar complementos para as cenas registradas no palco. Era fundamental que eu me despisse para dar continuidade ao vídeo a ser montado.
 
E a vergonha? Ali estava eu, exposto aos olhos dos soldados que faziam a guarda. Constrangedor é uma palavra amena para descrever a sensação que vivi. Mas heroicamente cumpri a missão
.
O mais importante é que todos esses movimentos, todos esses trabalhos tinham sabor de aventura e proporcionaram encontros e trocas com gente interessantíssima e talentosa.
 
Ah! A música! Fui mergulhado, engolfado em um ambiente musical concreto e experimental. Eram instrumentistas talentosos e vários cantores magníficos: sopranos, contraltos, barítonos, baixos, todos projetados em cenários e luzes que se misturavam a minha volta. Impossível não mencionar as cantoras escolhidas, donas de vozes que alcançavam notas que aos meus ouvidos pareciam quase impossíveis para a voz humana. Sim, porque Jocy não deixava nada por pouco. Não só essas artistas cantavam, mas se arriscavam, impulsionadas por Jocy a se colocarem em posturas corporais inusitadas.
Todos nós fomos envolvidos por sua música, pelas suas cores, sons e luzes. Elementos que impregnam a alma de Jocy, que as traduz em obras inesquecíveis. São lembranças luminosas que geram um agradecimento profundo a essa Artista que está impressa, não apenas em minhas memórias  mas em meu sangue de dançarino. Por isso tudo sou grato, imensamente grato! 
 
Michel Robim

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Agora

Agora
Depois que a gente se afastou
Passei a ver você de outras formas
Passei pela tristeza, pelo desprezo, pela ironia, pela incompreensão, pelo tanto faz
Mas...
Te digo algo 
Gosto de você mais Agora do que antes.
Agora incluo mais percepções de você.
E aqueles aspectos humanos por vezes menos festejados
Como rugas, celulites, barriguinha e mau humor.
torcidas de nariz, até mesmo as incompreensões.
Agora posso ver você sem as roupas com as quais meus olhos te vestiam
Ficar mais longe
me fez chegar mais perto da pessoa que você é
e descobrir que o amor pode dar mais tesão do que a paixão.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

meu aniversário

Meu aniversário
...depois escutei Ode à Alegria de Beethoven, depois dancei Danúbio Azul de Strauss, depois tomei café da manhã, depois observei o trabalho insano de umas formigas, depois passeei no meio do mato, depois me banhei em água corrente, depois escutei histórias policiais e misteriosas, depois tomei um banho de espuma, depois comi no Alvorada, depois ganhei um piãozinho lindo de madeira, depois dormi, aí...,depois tive um outro café da manhã, depois passeei com descobertas de caminhos e lugares novos, depois assisti um filme ótimo, depois voltei pra casa, com muitas saudades.

terça-feira, 18 de abril de 2017

um olhar contemporâneo

Conversando com meu filho,
Estamos de acordo que pessoas com um mínimo de clareza e consciência percebem e necessitam a inclusão da diversidade, dos diferentes, de estar prontos para mudanças de posturas, de olhar, de opinião, de rumos.
Sabem que as definições neste momento são extremamente provisórias e que as transformações constantes tornaram-se parte integrante do mundo. Essa é uma nova  posição. Chamemo-la de Presentes .
Já os conservadores/fundamentalistas sobretudo os de direita neste momento se organizam mais facilmente porque seus contornos, suas propostas são definidas e rígidas. Já têm tudo pronto nos seus manuais. Por isso surgem mais fortes e agrupados. Os presentes, por uma mera questão de inteligência, tem maiores dúvidas e isso dificulta formarem forças coesas. 
É um tempo difícil que requer paciência. A rigidez não suporta a Vida e acabará desabando. Até lá firmemo-nos na Vida que é movimento e transformação e portanto propicia esperança.

Saudades de Casa

Tenho vontade de te abraçar
Assim, nós dois nus, de pé, frente a frente
olhar nos olhos, depois fecha-los
Sentir o teu cheiro, esfregar os rostos, o nariz no teu pescoço, no teu cabelo.
Passar as mãos na tuas costas.
Te apertar
Agarrar
Te virar e te agarrar pelas costas e passar as mãos nos teus seios.
Senti-los nas minhas mãos em concha.
Passar as mãos pelos teus cabelos.
Gemer murmurar
Cantar
Dizer coisas gostosas no teu ouvido
Pegar nas tuas coxas, no teu sexo
Na tua bunda
Te arranhar...
Enfim... estar em casa.