quinta-feira, 12 de abril de 2018

a crise cultural


Como povo,
quais os nossos conceitos de: inteligência, de sucesso, de capacidade?
quem são nossos heróis?
quais os feitos importantes de nossa história?
que coisas nos atraem?
o que para nós é honestidade?
o que nos proporciona orgulho?
e alegria?
diante do que nos curvamos?
O que reverenciamos?
O que nos causa aversão?
qual o nosso grau de tolerância?

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Reflexões sobre o crime por aqui



Qualquer crime aqui no Brasil, mais do que em qualquer outro país do mundo, poderia ter resolução rápida.

Não exatamente pela eficácia de nosso sistema investigatório, mas pelo simples fato de que somos um povo que observa, fala pelos cotovelos e deixa vazar informações a torto e a direito. O desejo de ter a informação ainda que para posar como pessoas interessantes, que sabem segredos que poucos tem acesso é fator forte. Adicione-se a isso o fato de que agora muitos, munidos de "smartphones" podem registrar fatos difíceis de serem refutados.

Penso que há sempre um "equilíbrio" (instável seja dito) entre a criminalidade e a polícia, mas efetivo. Há certamente um convívio entre esses dois setores, com várias combinações e acordos que em certos âmbitos envolvem até mesmo outras autoridades.

Quando a opinião pública se envolve esse equilíbrio sempre periga ser rompido. Nesse caso ou se buscam ou se criam os bodes expiatórios, ou se protela quase que indefinidamente a "investigação", sob a chancela de manutenção do "sigilo".

Creio que no caso de haver uma vontade politica de resolução, um movimento possível é simplesmente postar-se em locais determinados, escutar, fazer as perguntas certas e com atenção juntar os pedaços.

Este equilíbrio entre criminalidade, população e polícia existe e é sempre temperado por medo. E é aí que mora a grande barreira. Esse medo é o elemento mais intenso, desenvolvido e propagado em nosso país, afetando obviamente sobretudo os menos empoderados. Testemunhas? Quem quer se arriscar? Pode-se facilmente forjar um assalto permitindo que os que devem ser silenciados se tornem pobres vítimas fatais do evento.. Além disso balas perdidas estão aí mesmo, com algumas com endereço certo.

Por outro lado, certamente balas encontradas em corpos de diversos inocentes, são resultado de policiais apavorados, encurralados, mal treinados e lançados em incursões mal planejadas frequentemente com a tônica reativa.

Importante lembrar que este é um país onde uma grande maioria tem poucas perspectivas de futuro, poucos sonhos de mudanças. Esses partindo de suas experiências existenciais que os fazem chegar a conclusão que o valor do viver é baixíssimo projetam esse sentimento sobre os outros que os cercam, tornando o morrer e o ato de matar algo com menos importância que digamos a classe média.

Os participantes de confrontos envolvem-se em episódios violentos resultados dessas vivências onde a vida tem valor irrisório, sejam eles policiais ou criminosos.

Quanto a corrupção, convenhamos, somos treinados para ela desde pequenos.Somos educados desde o jardim de infância para a competição. Não sendo raro o estímulo dado pelas "tias": "Vamos ver quem chega lá primeiro" "Quem faz o trabalho mais bonito", etc . Quem ganha leva os prêmios , os elogios e o reconhecimento. Há um estímulo sutil mas forte que estimula a ganhar o reconhecimento a qualquer preço, sim porque sabemos que o primeiro colocado do último lugar é o segundo lugar.

Ademais, o óbvio, ou seja onde rolam crimes, sobretudo os de colarinhos brancos (ou pardos), rola, em geral muita grana, muitas promessas e o exercício do poder dialoga com mãos que lavam outras.
Grana é poder. Grana emudece bocas e fecha olhos, além de provocar amnésias profundas e precisas.
segue.....

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

liquidos

Exponho a dor tentando compreendero que a vida traz.Traduzo o incompreensível em movimentos.Para não me afogar nos líquidos produzidos nessas travessias.Entorno sentimentose flutuo nas mãos estendidas..

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

DESEJO


Me vesti com desejo.
arrancaram-me essa roupa.
Estou nu.
(Desejo pode se tornar roupa).
Pode ficar ocupando espaço no armário da ansiedade
Desejo impulso tem bom caimento .
Já pendurado no armário esperando
amarela e mofa

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

quem é essa?


Como não?
Como nem
Como é?
é verdade
é na tarde ou
no começo
é no caroço
é na moça
um pé na poça
é no seco
é na peça
na virtude
na atitude
é na pressa
a ver na festa
na fresta
mas quem é essa?

sempre assim


é sempre assim é sempre como sempre
é sempre como nunca
é sim é assim
pesa, mas eu sigo, pesa mas eu sinto
pés na terra
pés que têm calor
pés que querem terra
que querem chão.
que querem agarrar
que tem garra que tem sim que tem assim
então vem que é assim
vem sem reticencias sem penitências
vem porque é agora
porque é a hora
vem porque sim...
sempre

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

O poeta, o palhaço e o dançarino


Dançarino ao palhaço: Por que você não se muda aqui pra casa? Tá separando? E aí? Difícil a convivência, isso eu conheço. Antes que vocês se estapeiem. Dá um tempo, respira, ou melhor  vem respirar mais tranquilamente por um tempo aqui em casa.
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Não, não vai atrapalhar. A gente arruma sempre um espaço.
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Dançarino ao Poeta: Que você acha de me ajudar a escrever uma peça que  comecei  mas acabei me enrolando e acho que uma parceria ia me ajudar bastante.

Aí ele me respondeu: quando é que agente começa?

Sai dessa cidade infernal cinzenta que pensa em trabalho mas promove a solidão. Um São Paulo liberal mas que aprisiona. Vem pro Rio mais solar, natural, de praia, etc e tal.

O Poeta, O Palhaço e O Dançarino

Dentro da casa
Um se encolhe
O outro se expande
Um é silencioso o outro tonitroante

Um de manhã se debruça sobre sua comidinha.
O outro se arrisca na tapioca
O café circula pelas seis mãos,
Já o suco o faço eu.

A louça louca se deixa esfregar nas mãos do poeta
Que com esse gesto paga sua ausência de outros afazeres
Sem açúcar o poeta e eu,
Mas o palhaço de doce se lambuza 

Traz o poeta o amendoim que com ovos cozidos e bananas se farta
O dançarino traz encomendas do supermercado
O palhaço é sempre surpresa.

Dos afetos que os cercam:
O palhaço apaixonado
O poeta estabilizado
E o dançarino a espera de um chamado.

Três maduros num apê
Construções contínuas, tudo em andamento.

Lá não falta inspiração contradição e ampliação