terça-feira, 26 de abril de 2011

Uma Grande Páscoa

A grande páscoa ou, uma iniciação coletiva

Em tempos passados aqueles que desejavam ir além do conhecimento vigente. Aqueles que pressentiam que havia algo além da realidade descrita pelo senso comum da época. Aqueles que desejavam algo mais, hoje descrito como um “crescimento interior”, “expansão de consciência” ou acesso a suas almas, buscavam algum lugar, alguma escola ou grupo com o qual pudessem explorar regiões diferentes do conhecimento humano. Isto era desenvolvido de forma circunscrita a grupos secretos, a grupos esotéricos.

Esta necessidade de reserva, de cuidado era necessária, já que envolvia acesso a olhares, e atitudes e abordagens da realidade fora do âmbito da cultura vigente. Tudo isso sujeito a facilmente gerar distorções que poderiam e puderam dar lugar a incompreensões e, sobretudo medos, podendo levar a acusações de feitiçaria, bruxaria e outros nomes.
Nestes grupos, os neófitos, após algumas instruções preliminares, eram submetidos a rituais de iniciação que envolviam provas de desapego e des-identificação com o objetivo não só de assegurar que estes conhecimentos fossem mantidos em sigilo, mas acima de tudo para testar a estrutura psíquica dos candidatos.

Eu mesmo vivi uma época, anos setenta, em que falar de “energia” já era uma ousadia. Este termo feria muitos intelectos e causava estranheza. Falar de centros energéticos era blasfêmia pura, ocasionava cenhos franzidos e, com muita condescendência era considerado “exótico”. (Convenhamos que mesmo hoje em dia uma grande parte da população ainda olha com desconfiança pessoas que dizem ir ao psicólogo!).

Por outro lado há uma vulgarização imensa de termos psicológicos que constam de livros, revistas assim como de novelas de TV. Abundam em todos os meios de comunicação termos como: energias, vibrações, espírito, alma, anjos, etc. Tudo isso é reunido criativamente num sincretismo desvairado que junta religiões, culturas orientais, medievais, ancestrais, indígenas e extraterrestres. Cada pessoa se mune de suas figuras de referência e constrói seu panteão, seu altar, temperado por cristais, velas, incensos, fotos, e rituais.

Intelectualmente os tempos de grupos esotéricos ou secretos não são tão mais necessários, o conhecimento com respeito a aspectos que outrora eram do âmbito de poucos se alastra. Uma ampla literatura aborda o mundo sob diversas óticas onde se tece com desenvoltura ciência, religião, misticismo e o termo “espiritualidade”. Tudo isso acessível em quaisquer livrarias, bibliotecas, ou pela internet
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Em termos vivenciais, por outro lado, é interessante observar que aquelas iniciações reservadas a poucos candidatos que voluntariamente se apresentavam, neste momento planetário se tornaram públicas, gerais e coletivas. Se não vejamos: Estão aí os terremotos, tsunamis, enchentes, desabamentos e outras ações climáticas. Em termos sociais as possibilidades de, por exemplo: uma demissão, uma separação conjugal, uma ameaça à saúde, uma perda financeira, uma revolução, um acidente, crescem exponencialmente, submetendo-nos cotidianamente a provas de desapego e des-identificação.

Em suma estamos todos sendo iniciados. Podemos presumir que nossa humanidade está passando por um estágio de crescimento compulsório.

São provas agudas. Não são “castigos” como uns se apressam em diagnosticar. Correspondem a uma necessidade coletiva de crescimento. Verdade que doem. O sofrimento que vemos a nosso redor é prova disso. Mas a dor é maior quando nos revoltamos, recusamos e rechaçamos este crescimento. É tempo de começarmos a desapegar-nos de coisas e idéias, soltar nossas identificações, com coisas, com pessoas, com sentimentos e idéias.

Será mais fácil ainda se nos ajudarmos mutuamente neste processo. Além disso, já é tempo de nos reconhecermos como humanidade e não apenas como um bando de indivíduos habitando e disputando lugar numa nave interplanetária que percorre o espaço á milhares de quilômetros por hora.
Um abraço
Michel
  

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A fantasia da compreensão


Explicação e compreensão das coisas é uma de nossas fantasias. Se organizarmos explicações e encadearmos idéias que façam sentido em nossa base de parametros aceitos, nos acalmamos. "Foi por causa disso", "Foi por causa daquilo..." até que se gere um "AH! Agora sei porque..."

De qualquer modo vivemos em estados pós-hipnoticos. Se alguém nos disser algo que associamos com algo bom, ficamos felizes. Se alguém nos disser algo que associamos com algo ruim ficamos tristes. Caminhamos pelo mundo dessa maneira.
Penso também no gesto de uma mãe que arranca enérgicamente a faca da mão do bebê que então por isso se lança num choro de soluçar...Tragédia! Não percebe que esta faca poderia feri-lo e a outros. Só entende que lhe foi arrancada uma coisa linda que brilhava em sua mão.
Nós, em geral, como bebês não temos a capacidade de perceber a vida em suas dimensões mais amplas. Julgamos a partir do que nossa mente decodifica, ou melhor, inventa e se agarra para aguentar e nos acalmar enquanto habitamos esta dimensão.

Abraços

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A Arte da Presença

Curso: Arte da Presença
(ou Recursos de Movimento e Expressão para pessoas que trabalham com pessoas) 
Estamos vivendo tempos de aceleradas transformações.
Desenvolver apenas habilidades, conhecimentos ou informações não é suficiente. Estamos em tempos de Arte. Arte incorpora uma capacidade de estar presente. Arte tem o predicado de poder conviver com o vazio, com o novo, com o “não saber”, com o inesperado.
Ter a clareza e perceber a cada momento o que é adequado e o que não é, poder mudar de trajetória quando necessário, mudar o foco, rever, admitir não saber a resposta de imediato, escutar a vida, são alguns dos desafios atuais.
A Arte da Presença é uma atividade que propõe movimento, música, interações, meditações, jogos e reflexões que levam a que física, emocionalmente e mentalmente possamos não só ampliar nossas respostas às mudanças e transformações que nos envolvem, mas transitar e participar alegremente de todo esse complexo movimento que se está estabelecendo no mundo.  VAMOS? 
 
Quintas feiras, 19:30/20:45   -  custo R$ 120p/mês          
Cosme Velho, rua Marechal Pires Ferreira, 66 (rua em frente ao Colégio S Vicente) 
+ informações - 21  8189 9981 - Michel

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Exercitando a presença ou controlando nosso colesterol

Um exercício que trato de praticar é não ficar repetindo para os outros as histórias que me aconteceram, para que eu possa estar aqui, presente, o mais vazio possível. Para que eu não fique fechado e “gordo” de minhas histórias, para que esta "gordura" (a paixão pelas minhas histórias) não me "suba aos ouvidos" e me impeça de escutar os outros, me impregne as articulações e não me deixe mover livremente. O desejo que cultivo é o de estar presente, de estar aqui, agora, “magro” de histórias. Há histórias que abrem oportunidades para viver outras histórias e histórias que fecham as possibilidades de viver novas.
Admiração, amor e alegria presentes permitem aventurar-se em direção ao novo. Ressentimento, desesperança, inveja, sentimentos vingativos, raivas acumuladas e desprezos vão fechando caminhos e dificultando experimentar novas possibilidades.
Penso na analogia com o “colesterol” que impregna sobretudo os adultos que acumularam "experiências de vida". Há o colesterol bom e o ruim, da mesma forma que há histórias que "lubrificam" os caminhos, ampliam possibilidades, enquanto outras atravancam o caminhar, o fluxo da vida.
Portanto, fica aqui a pergunta como andam seus "colesteróis"?
Abraços 

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Solidariedade e Prevenção

Solidariedade e prevenção 
Somos um povo incrivelmente solidário na desgraça e imensamente irresponsável na prevenção destas desgraças. É comum assim que o “incêndio” se apaga, e após calorosamente buscarmos os culpados, depois do empurra-empurra, cansados e desmemoriados, em seguida voltarmos aos mesmos erros que darão origem às futuras tragédias.
A violência cometida, por pessoas ou pela natureza, poderia ser vista de forma didática como uma função que exige que as pessoas mantenham-se acordadas e presentes, impedindo-as de acharem que as coisas estejam garantidas e levando ao questionamento de nossas posturas de avestruz.
Essas violências deveriam estar nos despertando e provocando várias reflexões. Dissolvendo (e haja água) idéias do tipo “só quero viver em paz” ou “me deixem seguir meu caminho” e outras formas bem comportadas de alienação e isolamento.
Que sono profundo é esse sob o qual hipnoticamente vivemos? É um sono a meu ver embalado por imediatismos históricos, corrupção, amnésias convenientes e regados a discursos moralistas vazios.
Certamente o despertar de quem tem dificuldade de acordar só se dá com vigorosas cutucadas e, se o sono for pesado, estas sacudidas precisarão ser mais fortes.
Quão mais fortes?

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

As organizações e suas transformações

As organizações e suas transformações

      Em meio às aceleradas transformações que vivemos, o meio humano e consequentemente o organizacional está tendo que reformular diversos paradigmas de funcionamento.

       Temas como globalização, inclusão e diversidade perpassam a sociedade como um todo. Nas instituições e organizações se constata a gradativa introdução de conceitos como: atuação em rede, abordagens sistêmicas, ações sustentáveis, enfoques ecológicos e outros equivalentes.
  
       As estruturas masculinas, hierárquicas, fundadas na racionalidade, técnica, determinação, imposição, força, assertividade, conquista, superação, precisão e outros assemelhados, que utilizam de modo geral caminhos lineares, racionais, objetivos, dedutivos para decisões e ações não conseguem mais responder com destreza às demandas atuais. Outros olhares, formas e enfoques não lineares, complexos (no sentido da teoria da Complexidade enunciada por Morin) passam a serem necessários para um diálogo mais fluente com a realidade.

       Este novo cenário vem sendo construído aos poucos, e representa uma intensa transformação, um deslocamento da sociedade fálica para uma sociedade onde as características classificadas tradicionalmente como femininas, como intuição, sentimentos, sensações, acolhimento, escuta, interação, atenção aos aspectos das relações, paciência e cuidado passam a ser imprescindíveis em combinação com as abordagens tradicionais.

       Passa a ser importante, nas organizações, ter em seus quadros pessoas com características multifuncionais em contraste com a sede por especialistas. Busca-se pessoal com capacidade de realizar funções diversificadas, e muitas vezes de forma simultânea.

      As atuais intervenções e atuações exigem uma contínua atenção, uma rápida admissão do “não saber”, capacidade de lidar com o inesperado, a humildade para perguntar e perguntar-se, e a arte de combinar calma e rapidez para fazer surgir respostas eficazes.

      Estamos, como um todo, em termos pessoais e organizacionais (e parece importante que nos mantenhamos neste estado) buscando e experimentando novas posturas, novos olhares, novas abordagens não experimentadas antes. Estamos diante do Novo. Este Novo se manifesta num constante movimento onde as transformações e o inesperado freqüentemente irrompem desafiando o fatídico desejo de controle.

      Se por um lado este panorama gera profundas angústias e desorientações, por outro, este fato está impondo aberturas e flexibilidades nas estruturas das organizações que propiciam a geração de momentos inéditos e criativos. Ao se romperem as regras, códigos e normas, surgem novas alternativas e possibilidades de resolver questões. Definições e conceituações, ao que parece, podem apenas existir de forma provisória e temporária.